Tapinhas nas costas

Al Lucca
2 min readSep 28, 2021

Esse texto foi originalmente postado no The Design Edition.

Assim como a grande maioria de vocês, eu também participo de grupos no Slack, e em alguns deles vejo mensagens de designers que estão entrando no mercado agora, os juniores, todos fomos um dia junior. Nessas mensagens o pessoal se lamenta que não consegue achar um emprego, muitas vezes chegam a participar de entrevistas, mas nunca recebem uma proposta.

Minha primeira reação é visitar o portfolio da pessoa, e até hoje não vi excessão a regra; trabalhos ruins, mal acabados, portfolio confuso, ou simplesmente os famosos post-its na parede, processos e nada de entrega final. Você imaginaria que o grupo, a comunidade, enfim, alguém falaria com essa pessoa, daria um feedback honesto e claro, algo nessas linhas…

Seu portfolio precisa ser melhorado, existem falhas que podem ser corrigidas facilmente, mas existem problemas de fundamentos também, você precisa praticar mais, estudar mais…

Eu faço isso com pessoas que conheço, ou explicitamente pedem meu “pitaco” e faço direto quando dou mentoria, lembrem-se que eu sou da turma que não acredita que todo mundo é designer.

Voltando ao feedback, é complicado hoje em dia ser transparente em uma comunidade onde tudo é lindo e maravilhoso, os comentários que você vê em um post assim é o famoso tapinha nas costas… “nossa, seu trabalho é show, realmente o mercado para juniores é muito difícil…” NÃO, não é difícil, seu trabalho que precisa ser melhorado, ponto. Senta e debulhe, projetos e mais projetos, pode ser fakes, pode ser o site da padaria da esquina, pode ser dribbble shots, não importa, pratique, aprenda fazendo no erro e no acerto.

Mesmo assim, esse designer que se lamenta ainda vai encontrar um emprego, existem realidades hoje onde pessoas sentam para fazer drag & drop, ou o famoso pixel-pushing. Mas os juniores que dedicarem tempo montando cases bem feitos, que entregam um trabalho final curado, bonito e que mostram que sabem o be-a-ba da metodologia já estão lá na frente e com certeza com o potencial de construir carreiras muito mais significativas.

Desconfie do mantra “me mostre seu processo, visuais não importam”, temos uma geração inteira caindo nessa besteira e um mercado inteiro sofrendo por falta de designers que não sabem fazer design.

Até a próxima,
Al Lucca

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Al Lucca

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